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21 de setembro 2013

Conheça os diferenciais de uma educação autêntica Montessori

Você conhece esta turma?

Sergey  Brin, Larry Marques, Jeff Bezos, Jummy Wales, Katherine Graham, Gabriel Garcia Marques, Peter Drucker …

Por que tantos empreendedores e gestores de sucesso da atualidade estudaram em escolas com o método pedagógico Montessori? A revista HSM Manageman publica reportagem que diz que esse pode ser um caminho para desenvolver as habilidades exigidas hoje e no futuro.

“A era digital exige novas competências, tanto individuais como coletivas e institucionais, e muitas delas não foram aprendidas nem desenvolvidas durante os anos de escola. Além de dominar uma disciplina, um idioma estrangeiro ou uma área produtiva, são exigidas capacidade de tomada de decisões, flexibilidade para trabalhar em qualquer lugar e momento, aptidão para decodificar as linguagens das tecnologias da informação e da comunicação (TICs) e eficácia na comunicação de ideias.”

Estudos recentes se ocuparam de analisar essas habilidades, consideradas entre as mais relevantes em uma economia globalizada. Um deles, 21st Century Competencies and Their Impact, patrocinado pela Hewlett Fundation, apoiou-se em trabalhos acadêmicos oriundos de uma diversidade de disciplinas para identificar, além das habilidades, as competências do século 21 – e sintetizou-as em quatro:

Pensamento crítico e resolução de problemas; comunicação, liderança e colaboração; alfabetização digital e midiática; Criar, inovar e aprender a aprender.

Além das habilidades e competências, as pessoas precisam cultivar uma série de atitudes para se inserir com sucesso no mercado de trabalho, focadas no pertencimento a um grupo e na adaptabilidade para se mover em ambientes dinâmicos, nos quais um conhecimento se torna obsoleto rapidamente.

De que mentalidade necessitam indivíduos e organizações para dar conta de tudo isso e não ficar de fora das grandes rupturas desta era? E como desenvolvê-la?”

PEQUENAS APOSTAS NO DIFERENTE

Em seu artigo “The Montessori Mafia”, publicado no The Wall Street Journal em abril de 2011, o empreendedor, autor e consultor Peter Sims diz que “podemos mudar a maneira de como nos ensinaram a pensar”.

Essa afirmação é o argumento central de seu livro Little Bets: How Breakthrough Ideas Emerge from Small Discoveries (Ed. Free Press). Nesse livro, ele sustenta que as grandes ideias poucas vezes surgem instantaneamente, como resultado da inspiração de um gênio. O habitual, explica, é que apareçam após um trabalho cotidiano sistemático e rigoroso de observação e descoberta.

Depois de pesquisar grandes inovadores atuais e do passado, o autor descobriu que os pensadores e realizadores criativos e produtivos geralmente praticam um conjunto de métodos experimentais, que são simples mas engenhosos. Que liberam sua mente das limitações impostas pelo sistema de ensino convencional (caracterizado pela ênfase nas habilidades de pensamento analíticas e na resolução linear de problemas). Desse modo, são preparados, assim, para estabelecer conexões criativas e alcançar resultados extraordinários.

Esse modo de pensar e agir é o coração da estratégia baseada em “pequenas apostas” que Sims apresenta em seu livro e que constitui uma ferramenta fundamental para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

A abordagem que recomenda consiste em realizar pequenas ações simples e concretas, com atitude positiva diante do fracasso; já que se trata de um enfoque que tem como base a tentativa e erro até chegar à descoberta e ao desenvolvimento de novas ideias.

MENTE ABERTA PARA A NOVA ERA

Em Little Bets, o autor questiona as habilidades transmitidas pelo sistema educacional dominante, voltadas para as competências do hemisfério esquerdo do cérebro. Ao mesmo tempo, os saberes dos alunos são avaliados com base na conquista de metas preestabelecidas, o que limita a criatividade e autonomia.

Uma educação que fomente o desenvolvimento das competências do hemisfério direito, por sua vez – a iniciativa; a intuição; a descoberta; a dúvida e a aceitação do erro; contribuiria para cultivar habilidades fundamentais para enfrentar as exigências profissionais do mundo atual. Este é o diferencial principal do Ensino Montessori.

Nesse sentido, Sims destaca os achados de Carol Dweck, professora de psicologia social na Stanford University; que revelou a capacidade de aprender mais com os contratempos do que outras. Dweck explica que essa diferença se deve a duas maneiras gerais de pensar no aprendizado e no fracasso; as quais define respectivamente como mentalidade rígida e mentalidade de crescimento.

Os indivíduos com mentalidade rígida pressupõem que suas capacidades e inteligência são estáticas, ou seja, um conjunto inato de talentos. Isso gera urgência para demonstrar continuamente seus conhecimentos e a percepção de que o fracasso pode ameaçar sua identidade. Essa, aliás, é a mentalidade que costuma surgir da educação convencional.


Ao contrário, aqueles que têm mentalidade de crescimento acreditam que é possível cultivar a inteligência e as capacidades – o que significa que todos podem ter acesso a elas –; e tendem a considerar os fracassos como oportunidades de crescimento – um diferencial da mentalidade comum.

Assim, estão dispostos a desafiar-se constantemente.
A mentalidade de crescimento, flexível, aberta a críticas e erros, tolerante a outras visões, é a que caracteriza os inovadores criativamente produtivos. E é a que melhor se encaixa no mundo atual, continuamente em mutação.

A ANTIEDUCAÇÃO

Ainda que se possa pensar que as pessoas se guiam por uma mentalidade flexível o fazem intuitivamente, existe um método de ensino alternativo. Datado do início do século 20, esse método se concentra mais na individualidade de quem aprende do que na padronização dos conteúdos oferecidos: o método Montessori.

Essa pedagogia – orientada principalmente a crianças de 2 anos e meio a 6 ou 7 anos – foi criada em 1907 pela educadora e médica italiana Maria Montessori (1870-1952). 

Ela acreditava que as crianças tinham um interesse inerente e espontâneo pelo aprendizado e pela autodisciplina, o que logo diminuía ou se perdia por influência na educação convencional. Seu enfoque de ensino se baseia nesse espírito e promove um ambiente de aprendizado colaborativo e autoguiado, no qual os alunos soltam as rédeas de sua curiosidade e tomam iniciativas, um ambiente cheio de diferencial.

Assim, nas instituições que usam o método Montessori não existem anos escolares, mas classes com crianças de várias idades; que escolhem a atividade que vão desenvolver entre uma gama de opções. É um modelo construtivista ou de descoberta, no qual os estudantes não são avaliados.

Eles aprendem conceitos por meio do trabalho com materiais criados especificamente para isso, e não por instrução direta. Assim, o papel do professor se assemelha ao de um supervisor e mentor, distante da figura habitual do professor expositor.

A pedagogia Montessori não só se expandiu pelo mundo todo em suas escolas como também influenciou projetos educativos inovadores, como o criado o Brasil com o aval da Semco, de Ricardo Semler.

Lumiar, experiência brasileira na vanguarda mundial. A empresa brasileira Semco dedica-se a diversos negócios, como fabricação de equipamentos industriais.

Em 2002, caracterizada por seu compromisso com causas sociais, acrescentou um bem diferente ao portfólio: estimulou em São Paulo a criação de um projeto educativo inovador, a escola infantil Lumiar.

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que propõe uma metodologia de ensino interativa; na qual o conhecimento surge da produção de situações e da aplicação de ideias que estimulam a curiosidade, a observação e a criatividade das crianças.

Escolhida como uma das 12 instituições de ensino mais inovadoras do mundo segundo uma pesquisa realizada pela Unesco em parceria com a Stanford University e a Microsoft, a escola Lumiar não tem aulas tradicionais, mas espaços de aprendizado. Neles, crianças de diversas culturas, idades e origens sociais aprendem sem avaliações nem hierarquias, com base na formação de valores, centrada no respeito às diferenças.

O objetivo é formar cidadãos responsáveis com competências sociais, intelectuais e culturais que lhes permitam mover-se em um mundo em constante mudança e democrático. Seu conceito pedagógico por sí só já é um diferencial:

Seu conceito pedagógico se apoia no seguinte tripé:

1- Democracia – Sempre que possível, soluções são tomadas coletivamente.

2- Plano de estudos em “mosaico” (desestruturado) – Cada criança constrói o próprio processo de aprendizado. Os estudantes escolhem os cursos e se encontram semanalmente para tomar decisões sobre todos os aspectos vinculados ao funcionamento da escola, incluindo disciplina e excursões. As atividades fazem parte de projetos específicos que estimulam a resolução de problemas e se desenvolvem com base nos interesses dos alunos.

3- Presença de dois tipos de educadores-chave – De um lado, o profissional, que cumpre o papel fundamental de guiar e acompanhar os estudantes – é uma mescla de conselheiro, mentor e treinador, que monitora o estudante ao longo de sua vida escolar na instituição e interage com a família; de outro, o mestre, que organiza, coordena e assessora as crianças em seus projetos de aprendizado.

As três sedes em que a escola funciona hoje são mantidas pela Fundação Ralston-Semler, que o visionário CEO da Semco, Ricardo Semler, criou em 1990. Em essência, ele transferiu sua filosofia de gestão, baseada em democracia e “liderança por omissão”, para a educação.

SEMENTEIRA DE EMPREENDEDORES

Mas qual é a ligação entre um sistema inovador de educação infantil e as exigências do mundo dos negócios? A resposta vem das valiosas descobertas de uma pesquisa à qual Sims se refere em seu livro. Os professores Hal Gregersen, do Insead, e Jeffrey Dyer, da Brigham Young University, propuseram-se investigar a maneira de pensar das pessoas criativas do mundo empresarial.

Depois de pesquisar mais de 3 mil executivos, entrevistar 500 pessoas que tinham iniciado companhias inovadoras ou inventado produtos e examinar os hábitos de líderes como Steve Jobs, Jeff Bezos e A. G. Lafley, descobriram que existe um conjunto de capacidades que distingue os inovadores, entre as quais as de experimentar, observar, questionar e estabelecer redes com as mais diversas pessoas.

O diferencial desses líderes é que por trás de todas eles estão uma enorme curiosidade e uma inclinação constante para o aprendizado; a pesquisa e a observação do mundo e essas capacidades, segundo os autores, podem ser desenvolvidas por qualquer um.

Ao explorar os fatores que promovem tais capacidades inquisitivas, Gregersen e Dyer se questionaram por que o interesse das crianças pelo funcionamento do mundo se perde ao crescer.

Puderam então observar que, em geral, ao chegar aos 6 anos e meio, elas param de perguntar porque aprendem que os professores valorizam muito mais as respostas corretas do que as perguntas provocativas.

Descobriram, além disso, que muitos dos inovadores de seu estudo tinham frequentado escolas Montessori, onde aprenderam a desenvolver a curiosidade e o espírito de descoberta.

É o caso dos cofundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, que durante uma entrevista com a lendária jornalista norte-americana Barbara Walters, em 2004, quando a empresa abriu o capital,; afirmaram que sua educação nessa pedagogia tinha influenciado demais seu sucesso, mais ainda do que o fato de seus pais serem professores universitários.

Outros exemplos

Jeff Bezos, fundador da Amazon, também estudou pelo método Montessori, e a essa experiência ele atribuiu sua capacidade de desafiar e desafiar-se com perguntas como “Por que não?” e “O que aconteceria se…?”. Também fazem parte da lista: Jimmy Wales, fundador da Wikipedia; Katharine Graham, proprietária e diretora do The Washington Post na época do caso Watergate; Anne Frank, a menina judia vítima do nazismo que escreveu um diário comovente até ser descoberta e mandada para um campo de concentração; e Gabriel García Máquez, Prêmio Nobel de Literatura. (O caso de Peter Drucker, “pai” da gestão moderna, é controverso, já que não se sabe se ele realmente foi educado na pedagogia Montessori. Mas não resta dúvida sobre sua admiração explícita pela obra da educadora italiana.)

Assim, essas descobertas levaram Sims a suspeitar da existência de uma verdadeira “máfia Montessori” na elite de empreendedores criativos e a refletir sobre os enormes benefícios que essa pedagogia poderia oferecer a todo tipo de pessoas e organizações.

Afinal, segundo Andrew McAfee, pesquisador do Center for Digital Bussines do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e coautor de Race Against the Machine – ele mesmo aluno de escola Montessori -, “há desacordos sobre cada aspecto da política educacional norte-americana, com uma única exceção: todos acreditam que seria grandioso conseguir ensinar melhor os estudantes a inovar”. No post intitulado “Montessori builds innovators” do blog da Harvard Business Review, de julho de 2011, ele retoma o artigo de Sims e afirma:

“Até que me convençam do contrário, continuarei acreditando no método Montessori e recomendando-o aos pais. O mais importante que aprendi é que o mundo é um lugar interessante, que deve ser explorado. Existe base melhor para um inovador em formação?”

A EXPERIÊNCIA EDUCATIVA IDEAL DE UM JOVEM

Ao debate sobre que habilidades devem ser ensinadas nas escolas de agora em diante, e em sintonia com a pedagogia Montessori, acrescenta-se a voz do jovem norte-americano Nikhil Goyal, estudante do último ano do ensino médio na Syosset High School, que não só dá conferências em vários países, como já escreveu um livro: One Size Does Not Fit All: A Student’s Assessmente of School (ed. Bravura Books).

Entre outras coisas, Goyal rejeita o modelo de educação atual, que adjetiva de irrelevante e rotineiro (para não dizer entediante), e propõe um sistema de avaliação com a participação dos alunos.

A REESTRUTURAÇÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL SEGUNDO GOYAL

Em uma reportagem publicada no site Forbes.com em maio de 2012, a jornalista Erica Swallow, depois de listar e analisar as contribuições de Goyal, pergunta-se se um jovem de 17 anos poderá salvar o sistema de ensino dos Estados Unidos, listando e analisando suas contribuições. No livro, Goyal sugere a reestruturação do sistema desenhando um retrato da experiência educativa ideal. Entre as mudanças necessárias para ele estão:

– Abolir as qualificações e graus padronizados, substituindo-os por avaliações de desempenho mais abrangentes.

– Reinventar a sala de aula para reunir os alunos por capacidade (não por idade); ensinar por meio de experiências em vez de aulas magistrais e incorporar habilidades para o século 21, as quais identifica como: pensamento crítico; pensamento criativo; colaboração; comunicação; curiosidade; assunção de riscos e atitude diante do fracasso.

– Transformar a docência, pagando mais aos educadores e acabando com a “caça às bruxas” que começou com a avaliação dos professores com base no desempenho de seus alunos nas provas.

Brilhante e apaixonado, Goyal conclui dizendo que da infância à idade adulta deveríamos sentir alegria quando aprendemos. Deveríamos também procurar oportunidades para debater e questionar o mundo que nos rodeia. Diferentemente dos alunos de hoje, que, ao terminar o ensino médio, só aprendem a pensar como todo mundo, segundo ele.

Aldeia Montessori